12 de mar de 2013

DICA DE LIVRO: Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello

Mesmo quem não assistiu ao filme sabe reconhecer de onde vem aquela sequência eletrizante do chuveiro. Também reconhece imediatamente a afiada trilha sonora, feita com instrumentos de corda, de Bernard Herrmann. Tudo isso faz parte da mitologia que ronda o maior clássico do suspense de todos os tempos, Psicose, cujos bastidores foram recontados pelo jornalista Stephen Rebello.

Escrito em 1990, quando os protagonistas Anthony Perkins e Janet Leigh ainda eram vivos (Perkins morreu 2 anos depois em decorrência da Aids, e Janet faleceu 9 anos atrás, já bem velhinha), o livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose (editora Intrínseca) é uma leitura acima de tudo prazerosa, não apenas aos fãs do mestre do suspense, mas a qualquer pessoa que se interesse por histórias curiosas.

Não é pra menos que os bastidores desta cultuada obra tenham servido de material para um livro e para outro filme. O que ocorria por trás das câmeras era tão interessante quanto. E isso remonta a fatos verídicos, que serviram de base para o livro de Robert Bloch (e este, por fim, transformar-se-ia num poderoso roteiro de cinema, a ser dirigido pelo diretor mais respeitado da 1ª metade do século 20!). Os dois primeiros capítulos do livro fazem justamente uma retrospectiva sobre os macabros crimes de Ed Gein, nos anos 50, e sobre a elaboração do livro de Bloch, cuja inspiração veio de reportagens sobre o assunto.

Gein, para quem não sabe, ficou famoso por ter matado algumas mulheres e desenterrado cadáveres num cemitério, servindo-se de ossos e pele humana para decorar sua fazenda! Além disso, fala-se de uma relação incestuosa com a própria mãe, que, segundo a lenda, teria sido embalsamada pelo próprio e guardada num freezer (o maníaco teve uma amnésia total após ser descoberto e ficou trancafiado num sanatório até morrer, em 87).

Bom, eu ainda não vi o filme de Sacha Gervasi, estrelado por Anthony Hopkins, atualmente em cartaz no Brasil, mas a julgar pelas indicações ao Globo de Ouro e ao Bafta que Helen Mirren recebeu por ele, é de se estranhar que no livro a esposa de Alfred, Alma Hitchcock, tenha uma participação tão ínfima. Ela quase nem é citada! De qualquer modo, são curiosas as histórias sobre como o grande cineasta teve de burlar a censura para introduzir um pouco de sexualidade na trama, duas cenas de extrema violência e (atenção para o spoiler!) o tema do travestismo — tudo muito chocante para as plateias em 1960.

Os cinéfilos também irão gostar de saber que Psicose era, na verdade, uma resposta ao diretor francês Henri-Georges Clouzot, que havia feito um tremendo sucesso poucos anos antes com o aterrador As Diabólicas (a cena mais famosa deste se passa numa banheira e seu desfecho também traz uma surpresinha). Havia ainda a preocupação de Hitch em provar sua eficiência ao lançar um filme de baixo orçamento, porém ao estilo Classe A, como Orson Welles fizera com A Marca da Maldade (58).

O êxito de Psicose foi, para seu realizador, o auge e o início de seu declínio. Depois dele, segundo Rebello, vieram expectativas jamais cumpridas (embora eu considere Os Pássaros, de 63, e Frenesi, de 72, duas excelentes amostras de que Hitchcock não estava enferrujado em seus últimos anos de vida, como muitos apontam). O fato é que o assassinato no chuveiro não se tornou apenas o símbolo máximo do thriller; ele também marcou o fim de uma era na qual o velho e bom Hitch era o maior. Felizmente, o tempo comprovou que ele continua sendo um dos grandes.

8 comentários:

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    1. Procure mesmo, Teago, espero que vc goste.
      Abraço e obrigado pela visita.

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  2. não li ... mas vc conseguiu atiçar minha curiosidade ...

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    1. Se aticei, então tá ótimo! rs
      Leia mesmo! Abração e boa sexta-feira desde já.

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  3. Pierre:

    Os livros que vc indica costumam ser bons mesmo.

    Abraços querido.

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    1. Claro, só indico coisa boa pros leitores do BAZAR - hehe
      Abraços

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  4. Mais uma excelente dica de leitura!
    Anotei!
    Abraços!

    Senhor do Século | Beleza para homens

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