6 de jun de 2013

DICA DE LIVRO: A Queda - As Memórias de um Pai em 424 Passos, de Diogo Mainardi

Se o arquiteto Pietro Lombardo não tivesse existido, a Scuola Grande di San Marco não seria erguida na Veneza renascentista. Se Napoleão não tivesse transformado a Scuola Grande di San Marco num hospital, provavelmente não realizariam partos por lá, como acontece até hoje. Se o obstetra George Macaulay não tivesse inventado, no século 18, a amniotomia, procedimento que acelera o nascimento de um bebê por meio de uma ruptura artificial do saco amniótico, o primogênito do jornalista e escritor Diogo Mainardi, Tito, não teria sofrido uma falta de oxigenação no cérebro, causando sua irreversível paralisia. Se Tito tivesse nascido na Alemanha dos anos 1930, provavelmente teria sido executado pelos nazistas, que implantaram o chamado programa T4, a fim de fazer “eutanásias” nos bebês que nasciam “parasitas”, segundo palavras dos mais renomados médicos e cientistas de Hitler. E se Tito fosse um dos dois filhos com paralisia cerebral de Neil Young, talvez estivesse criando ovos numa granja, como de fato se passa com um destes.

O livro A Queda – Memórias de um pai em 424 Passos (Ed. Record) é assim mesmo: repleto de analogias e referências ao passado que, por obra do destino, transformam-se em elos constantes. Um fato se liga a outro, e a outro, e a outro, e assim sucessivamente. Diogo Mainardi, conhecido no Brasil pela coluna que assinava na Veja e por sua participação no programa Manhattan Connection (Globo News), traça uma série de paralelos como modo de desabafar, explicar e, sobretudo, venerar Tito, seu filho com paralisia cerebral.

Mainardi mora em Veneza há mais de 20 anos, foi lá onde se casou e onde sua mulher, Anna, teve Tito, vítima de um erro médico durante o parto. Em A Queda, acompanhamos ao longo de 424 capítulos — curtíssimos, sejam eles apenas uma fotografia, uma linha ou poucos parágrafos — a indignação de um pai. Contudo, essa indignação não é proferida com insultos ou palavras duras, e sim, com muita ironia, acidez e inteligência. Mainardi elabora esses flashbacks, pessoais ou não, com muita sagacidade; seu livro não é simplesmente uma expiação do fato que virou seu mundo de ponta-cabeça, é uma curiosa aula de história também. Vale a leitura!

2 comentários:

  1. Mainardi ... não é o colunista (chaaaaato) da veja? ou era? (nao sei, não leio mais a veja a um bom tempo!)

    sei não, não daria o beneficio da duvida a ele não ... ¬¬

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    1. kkkkkk
      É ele mesmo. Tem horas q ele é meio chato, principalmente quando começa a criticar o PT (não que eu seja petista, loooonge disso, mas tem hora q parece não ter mais nada interessante pra falar...). De qq modo, tente achar o ebook ou pegar numa biblioteca, é um livro mto interessante, pois ele não fica só falando de si, tem muitas curiosidades históricas no meio. Fora q é um livro rápido de se ler, pois é curtinho. Vale como curiosidade.
      ;-)

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