28 de nov de 2013

DICA DE LIVRO: Se eu Morrer Antes de Você, de Allison Brennan

Sabe aquela premissa de que não se deve julgar um livro pela capa? Pois Se eu Morrer Antes de Você (Universo dos Livros, 480 págs) é desse tipo: quando bati o olho na livraria, no começo do mês, pensei que estivesse na seção errada, mas não. Não se trata de um romance açucarado ao estilo Nicholas Sparks, embora tenha uma sequência de amor um tanto explícita lá pelos idos da página 300, 350.

Seguindo o estilo de algumas de minhas autoras favoritas, como Tess Gerritsen ou, em especial, Patricia Cornwell (que eu adoro), a americana Allison Brennan apresenta um thriller protagonizado por uma personagem feminina que, com a ajuda de algumas pessoas, tenta desvendar a identidade de um serial killer. Assim como já ocorreu em determinadas histórias com as personagens mais famosas das escritoras já mencionadas, sobretudo com a legista (e bisbilhoteira) Kay Scarpetta, criada por Patricia Cornwell, Se eu Morrer Antes de Você também traz aqui uma ameaça à heroína.

Deve-se, porém, destacar que Lucy Kincaid, a personagem central, tem um passado bem díspar e inusitado: fora vítima de um sequestro e um duplo estupro, exibido pela internet, praticado por dois maníacos quando ela ainda estava saindo da adolescência.  Lucy poderia ter virado vítima do seu próprio trauma, mas conseguiu superar. Passou a estudar como se sua existência dependesse disso, fez cursos de autodefesa, quase virou uma nadadora olímpica, cursou psicologia, fez especializações em criminologia e, agora, tenta ingressar no FBI com o intuito, justamente, de perseguir criminosos sexuais que atacam virtualmente. Allison Brennan adora destacar todos os atributos de sua personagem nos primeiros capítulos.

Na família de Lucy (inclusive um ex-namorado, que depois virou amigo) existem agentes da Inteligência Americana, psiquiatras, etc., e é com a ajuda destes que ela constrói armadilhas para capturar estupradores que marcam encontros via internet, fazendo-se passar por garotas inocentes em salas de bate-papo. A coisa começa a ficar, de fato, bizarra quando esses criminosos fisgados por ela começam a ser assassinados, e Lucy passa a acreditar que esteja sendo alvo de uma perseguição.

Até agora não revelei nada, está tudo mais ou menos descrito na sinopse do livro, atrás daquela capa idílica, que imprime um título ainda mais meloso — nada a ver com seu conteúdo... O mais interessante ao descobri-lo na livraria foi que ele trazia um contexto particularmente atual: o perigo por trás desses encontros marcados em chats virtuais com estranhos. Mas calma, nem toda mulher que utiliza esse tipo de ferramenta, na busca do “príncipe encantado”, vai se deparar com um psicopata misógino. Mesmo assim é um risco iminente.

O arquétipo da heroína quase infalível, sedutora, que jamais questiona se suas ações são as mais corretas, sempre destemida, é derrubado por Brennan, embora alguns clichês do gênero estejam presentes, como cartas de assinatura falsa, porões que acobertam crimes horrendos e tortura, câmeras de segurança que desvelam surpresinhas, pensamentos em primeira pessoa, grafados em itálico, do próprio serial killer, a constante suspeita, por parte do leitor, sobre o novo namorado de Lucy, etc. Entretanto, não chega a ser um livro incômodo ou escatológico, como poderia se supor, dado o tema perverso da trama. Mas a autora é bem-sucedida em elaborar capítulos cada vez mais tensos, que não nos fazem querer desgrudar de suas páginas.

Existem aqueles pequeninos mistérios e estudos psicológicos, sempre encontrados nos bons romances policiais: como Lucy pôde superar tamanha brutalidade em tão pouco tempo? O que um de seus primeiros algozes estaria fazendo na cidade em que Lucy mora, antes de ser assassinado, sendo que ele devia estar cumprindo prisão num outro estado? O que o enigmático serial killer do enredo procura? Ele age sozinho ou possui comparsas?

Aparentemente, Se eu Morrer Antes de Você faz parte de uma série, tanto que o último capítulo, na realidade, é uma prévia de outro romance da mesma autora, mas nada que impeça você de saborear este de modo independente. Minha maior ressalva, além do título inadequado e da capa meio romântica (embora, após a leitura, tenha passado a enxergar uma dubiedade na foto), é com relação aos erros de digitação, que concatenam algumas palavras (cadê o revisor?). No geral, para quem gosta de romances policiais, é um bom exemplar e um ótimo passatempo.


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