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28 de fev. de 2014

CINEMA: Quais as apostas do BAZAR para o Oscar 2014?


No próximo domingo será realizada a cerimônia de entrega do prêmio mais cobiçado do cinema. Sei que muita gente esnoba o Oscar, alegando que é um prêmio voltado para a indústria hollywoodiana, dando ênfase a superproduções e a muito lobby dos grandes estúdios, e justamente por isso alguns títulos pouco memoráveis, como Shakespeare Apaixonado, Uma Mente Brilhante e O Discurso do Rei, tenham levado a estatueta de Melhor Filme.

No entanto, para qualquer cinéfilo é sempre divertido tentar adivinhar quais os filmes que sairão vitoriosos nas principais categorias. Em dezembro, eu já havia feito uma pequena previsão de quais películas teriam destaque nas indicações (relembre aqui), sendo que acertei na maioria dos casos, poucas semanas depois. Desta vez, o BAZAR dá seus palpites para as categorias mais importantes:


Fazia um bom tempo que não se tinha uma "safra" tão boa como a deste ano. Para mim, não há um indicado ruim entre os 9 concorrentes a Melhor Filme. Há fitas excelentes que foram meio subestimadas, isso é verdade. Elas acabaram recebendo pouco destaque, como Ela, de Spike Jonze, e Nebraska, de Alexander Payne.

Normalmente, antes do Oscar, temos um franco favorito ao prêmio principal da noite, pois há inúmeras premiações entre os meses de janeiro e fevereiro, como Critic's Choice, o Globo de Ouro, o Círculo dos Críticos de Nova York, o Bafta, além dos prêmios dos sindicatos de Hollywood. Este ano, a coisa foi meio dividida, não tivemos um filme que tenha arrebatado tudo, como aconteceu com Argo, no ano passado.

Mesmo assim, 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, destacou-se no Bafta, Sindicato dos Produtores e levou o Globo de Ouro de Melhor Drama. Sua maior "pedra do sapato", até final de janeiro, parecia ser Trapaça, de David O. Russell, que levou o Globo de Ouro de Melhor Comédia e o Sindicato dos Atores de Melhor Elenco, contudo, Gravidade começou a deslanchar em inúmeras premiações, levou 6 Baftas pra casa, foi o destaque do People's Choice e até empatou com 12 Anos de Escravidão no prêmio do Sindicato dos Produtores. Assim sendo, Gravidade aparece hoje como a maior ameaça para o filme de McQueen. Tá pau a pau, mas ainda acho que 12 Anos leva.


Nesta categoria parece não ter pra ninguém exceto Alfonso Cuarón, de Gravidade. E não é injustiça, não. Pelo contrário: Cuarón revitalizou o gênero de ficção científica, fez aquele que é chamado o melhor filme ambientado no espaço desde Aliens: O Resgate, de James Cameron, e colocou os nervos dos espectadores à prova. Tudo isso com dois atores em cena, mais as imagens assustadoramente belas do universo ao fundo, inseridas na pós-produção.

Não seria espantoso ver Gravidade levando o maior número de estatuetas, pois é um filme que merece sair vitorioso em todas as categorias técnicas, como Fotografia, Trilha Musical, Efeitos Visuais e Sonoros. De qualquer modo, Cuarón deverá se tornar o primeiro mexicano a receber a distinção. Justíssimo.


É na categoria Melhor Roteiro Original que Spike Jonze, menosprezado como Melhor Diretor, deverá ser recompensado pelo melancólico e superatual Ela. Mas Jonze tem oponentes de peso, como Woody Allen e o diretor David O. Russell, que, aparentemente, é seu maior fantasma por causa de Trapaça. Contudo, na minha modesta opinião, Trapaça não possui nem de longe o melhor script do ano, portanto seria injusto ver Ela perdendo aqui.

Já na categoria Melhor Roteiro Adaptado minha aposta vai para 12 Anos de Escravidão mesmo. O eletrizante Capitão Phillips pode surpreender, uma vez que foi o vencedor do prêmio do Sindicato dos Roteiristas no começo de fevereiro, mas 12 Anos, na ocasião, ficou de fora porque o autor não era sindicalizado, regra que o tornava inelegível.


Este ano, os homens se destacaram por atuações formidáveis: todos os atores são igualmente merecedores, inclusive a zebra Christian Bale (na verdade, eu teria trocado Bale por Joaquim Phoenix, mas tudo bem).

Leonardo DiCaprio fez a melhor performance de sua carreira em O Lobo de Wall Street, exagerado conforme solicitado pelo roteiro sarcástico. Bruce Dern ficou na linha entre o drama e o patético em Nebraska, tudo muito sutil e digno. O inglês Chiwetel Ejiofor emociona com seu olhar e suas expressões de dor e humilhação no papel central de 12 Anos de Escravidão, ele pode até ser uma surpresa, contudo o grande favorito é mesmo Matthew McConaughey, que se despediu de vez dos papéis de galã em comédias românticas e passou a investir em dramas mais sérios. Sua transformação física para viver um aidético em Clube de Compras Dallas é digna de nota e só perde para a de seu colega de cena, Jared Leto (mais a seguir).


Outra barbada deste ano é ver a australiana Cate Blanchett subir pela 2ª vez ao palco da Academia para levar um prêmio, desta vez de Melhor Atriz Principal (ela já levara um de coadjuvante por O Aviador). Nenhuma de suas concorrentes, embora todas talentosas, parece ameaçá-la. Cate praticamente engole tudo a sua volta em Blue Jasmine, num dos papéis mais complexos já escritos por Woody Allen: sua personagem é comovente e ao mesmo tempo desprezível. O que não se pode negar é que Cate agarrou a oportunidade de trabalhar com um dos cineastas mais importantes da História com unhas e dentes e nos presentou com uma atuação magistral.


Jared Leto levar o prêmio de coadjuvante é outra sólida certeza na noite de 2 de março. O BAZAR já havia sentido o "cheirinho de Oscar" num post dedicado ao ator/cantor, em novembro do ano passado (relembre aqui). Fazer um travesti morrendo de aids é por si só um chamariz para prêmios, mas Leto levou tudo muito a sério e ficou realmente impressionante no filme Clube de Compras Dallas.

Sem Leto no páreo, Barkhad Abdi (Capitão Phillips) e Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão) seriam candidatos com bastante força, no entanto eles já sumiram das apostas; caso um deles ganhasse, todo mundo ficaria escandalizado.


Agora a última categoria "nobre" da noite (e que costuma ser a primeira revelada na festa): Melhor Atriz Coadjuvante. Eu aposto na mexicana Lupita Nyong'o, que fez um papel pequeno porém intenso em 12 Anos de Escravidão. Neste ano, colocaram atrizes em papéis "consideráveis" como principais na categoria de coadjuvante (Julia Roberts, June Squibb). Até mesmo a maior rival de Lupita, Jennifer Lawrence, está num papel que poderia se passar por principal, mas não quiseram colocá-la rivalizando com Amy Adams pelo mesmo filme.

Aliás, Jennifer Lawrence, que "roubou" o prêmio de Emmanuelle Riva (de Amor), no ano passado, embora estivesse bem em O Lado Bom da Vida, se redimiu comigo ao fazer a performance mais interessante e memorável de Trapaça. Se Lupita Nyong'o não levar o Oscar deste ano, não será uma injustiça terrível perder para Jennifer. Esta realmente veio pra ficar.


Então, agora, é só conferir a festa e ver quais os palpites (seus e do blog) irão bater com as escolhas da Academia. Será que vai dar 12 Anos de Escravidão, Gravidade ou Trapaça como Melhor Filme?

Obs: Lembrando que há 2 filmes disputando o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro que já foram resenhados pelo BAZAR: o dinamarquês A Caça (resenha aqui) e o excepcional A Grande Beleza (resenha aqui), que nas minhas apostas deve levar, merecidamente.

10 de dez. de 2013

CINEMA: 10 filmes que deverão se destacar no próximo Oscar (para se prestar atenção)

Ano acabando e, como todo mundo sabe, os grandes estúdios americanos começam a soltar seus melhores filmes, com temática mais adulta/séria, na tentativa de abocanhar um Oscar, o que ajuda, de certa forma, a perenizar essas obras.

Se você não é do tipo “cinéfilo de carteirinha”, desses que acompanham sites especializados, o BM fez uma lista com 10 títulos para você prestar atenção entre dezembro e fevereiro do ano que vem (período em que deverão estrear nos cinemas brasileiros; somente 2 estão em cartaz por aqui). São algumas das apostas, segundo os críticos em geral, para receber destaque nas premiações por vir, como Globo de Ouro, Bafta e, claro, o cobiçado Oscar.

Como a Academia, teoricamente, é voltada para reconhecer o mercado cinematográfico americano, são 10 filmes produzidos nos EUA, contudo há quem aposte em fitas de língua não-inglesa para algumas categorias, como O Passado, do iraniano Asghar Farhadi (já resenhado aqui).

Outro filme não americano que está tentando captar atenção suficiente para concorrer em categorias principais é o francês Azul, A Cor Mais Quente, que levou a Palma de Ouro no último Festival de Cannes (este não poderá ser indicado a Melhor Filme Estrangeiro, uma vez que a França escolheu para a disputa o drama biográfico Renoir, também resenhado aqui). É meio improvável, pois a Academia costuma ser bastante conservadora, e o filme em questão traz cenas fortes de sexo (lembra quando Michael Fassbender foi ignorado das indicações por Shame?).

Bom, vamos então à lista, em ordem alfabética:


12 ANOS DE ESCRAVIDÃO
A história real de um negro liberto que, em meados do século 19, foi raptado e novamente transformado em escravo, assediado e maltratado por seu dono durante 12 anos, é considerada por muitos como a grande favorita para levar os prêmios principais, como Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz Coadjuvante. O cineasta Steve McQueen, segundo dizem os críticos americanos, transcendeu todos os padrões já consagrados ao retratar a escravidão, fazendo um filme brutal e chocante, tal qual foi esse período. Se McQueen levar o troféu de Direção, será também o primeiro negro a lograr tal façanha. O que já se presume é que deverá ser a fita com o maior número de indicações em 2014.


ALL IS LOST*
O veterano Robert Redford já tem um Oscar em casa, mas foi pela direção do drama Gente como a Gente, da década de 80. Como ator, porém, ele nunca foi muito reconhecido, sempre tachado de galã e nada mais. Essa aventura, sobre um homem que, em meio a uma tormenta, tenta sobreviver sozinho num barco em alto-mar, pode lhe dar a consagração tardia e merecida. Redford, vale dizer, carrega o filme inteiro sozinho e com quase nenhuma fala.


BALADA DE UM HOMEM COMUM
Mistura de invenção e realidade, a vida de um cantor e guitarrista folk dos anos 60 chamado Llewyn Davis tem a assinatura dos irmãos Coen, queridinhos da Academia há muitos anos. Traz o astro pop Justin Timberlake numa atuação elogiada, mas que deverá ser ignorada pelo Oscar (num ano em que os papéis masculinos estão bem fortes). Quem pode receber algum tipo de reconhecimento é Carey Mulligan, como Melhor Coadjuvante. O roteiro dos Coen também pode se destacar.


BLUE JASMINE
Esse já está em cartaz no Brasil há algum tempo e a performance de Cate Blanchett, que foge um pouco da habitual "caricaturização" dos protagonistas de Woody Allen — conferindo-lhe mais tridimensionalidade e carregando nas nuances entre o drama e o cômico, a vilania e a simpatia —, pode ser recompensada com o Oscar de Melhor Atriz. A australiana é considerada uma das maiores intérpretes da atualidade, mas só foi agraciada com um prêmio de coadjuvante por O Aviador. Ela jamais esteve tão perto de levar o prêmio como Atriz Principal como desta vez.


DALLAS BUYERS CLUB*
Eu já havia falado sobre as enormes chances de Jared Leto abocanhar o prêmio de Ator Coadjuvante (neste post), e, a cada resenha publicada, essas chances parecem maiores. Leto é quase uma certeza, pois entre os papéis secundários do ano, poucos serão tão marcantes como o travesti morrendo de Aids interpretado pelo vocalista de 30 Seconds to Mars. Há quem diga que Matthew McConaughey, o ator principal, igualmente impecável, poderá faturar o Oscar de Melhor Ator também, mas, se for indicado, ele enfrentará fortes concorrentes na categoria.


ELA
Se neste ano a performance visceral de Joaquim Phoenix em O Mestre foi totalmente deixada à sombra pela reencarnação de Daniel Day-Lewis como Lincoln, em 2014 Phoenix poderá ter mais uma chance de levar o prêmio, pela ficção científica Ela, de Spike Jonze. O diretor é famoso por seus roteiros amalucados, o que não foge à regra aqui, com Joaquim Phoenix vivendo um escritor que se apaixona pela voz feminina de um software. Já levou prêmios importantes, como o National Board of Review e o prêmio dos Críticos de Los Angeles.


GRAVIDADE
Assim como Blue Jasmine, Gravidade é outro título que já está em cartaz no Brasil há algum tempo e que traz a segunda protagonista mais forte na disputa pelo prêmio de Melhor Atriz, Sandra Bullock. Não há muito o que falar a respeito deste filme que já não tenha sido falado na época de seu lançamento, em outubro. O que se pode apontar é que o mexicano Alfonso Cuarón seja talvez o maior páreo, depois de Steve McQueen, para levar o Oscar de Melhor Diretor nesta temporada.


O LOBO DE WALL STREET
Depois do regular A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese está de volta às premiações, desta vez com uma sátira ao mundo dos negócios. Leonardo DiCaprio, novo muso do diretor de Touro Indomável, faz o papel de um corretor de ações que atinge o auge e a decadência nos anos 90, algo que envolve abuso de drogas e corrupção. Poderá receber indicações importantes, mas dificilmente vai sair ganhador, tendo no encalço temas mais sérios.


NEBRASKA
O cineasta Alexander Payne, outro queridinho da Academia, retorna com um drama mais conceitual e autoral. Além de Robert Redford, por All is Lost, há quem aposte na vitória de outro veterano das telas, Bruce Dern, fazendo um homem que acredita ter ganhado um prêmio milionário após receber uma propaganda pelo correio e, assim, despertando o olho gordo de seus familiares. Rodado em preto-e-branco e trazendo um tema bastante humano, é possível que receba indicações importantes, como Melhor Filme, Direção, Roteiro, mas é quase certeza ver Bruce Dern, já premiado em Cannes, entre os 5 Melhores Atores.  


TRAPAÇA
Por último, temos este novo trabalho de David O. Russell, ambientado nos anos 70, que pode render uma nova indicação (e até vitória!) para Jennifer Lawrence, num papel-chave porém secundário, provando que a Academia adora essa jovem atriz. Tal como O Lobo de Wall Street, Trapaça é outro filme em tom de sátira que mostra a sujeira por trás do mundo dos negócios, do FBI e da máfia, e traz no elenco alguns dos atores mais versáteis da nova geração, como Jeremy Renner, Christian Bale e Amy Adams. Levou os prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Atriz Coadjuvante pelo Círculo dos Críticos de Nova York, o que lhe dá força total para a campanha pelo Oscar.


Observações:
Avisando que esta semana saem os indicados ao Globo de Ouro, considerado o maior termômetro do Oscar e o 2º prêmio mais importante de Hollywood. Contudo, os votantes ainda não viram 4 filmes já consagrados por algumas associações de críticos (Lone Survivor*Trapaça, O Lobo de Wall Street e O Hobbit: A Desolação de Smaug), podendo deixá-los de fora e, portanto, enfraquecendo a campanha dos estúdios por eles. Como tática de desespero, serão realizadas sessões de última hora aos membros da Associação dos Críticos Estrangeiros em Hollywood, que outorga o Globo de Ouro, ainda hoje, terça-feira.

E nesta quarta-feira serão anunciados os indicados ao Screen Actors Guild, que é talvez o mais importante prêmio dos sindicatos de Hollywood para se medir a temperatura do Oscar, uma vez que a maioria esmagadora dos votantes da Academia é composta por atores.

Entre os filmes não mencionados acima que podem surpreender, tanto no Globo de Ouro, no SAG ou no Oscar, estão: Philomena, Álbum de Família (com Meryl Streep, que é sempre indicada), Frances HaWalt nos Bastidores de Mary Poppins, A Última ParadaO Mordomo da Casa Branca, Capitão Phillips, A Vida Secreta de Walter Mitty e Antes da Meia-Noite.

Portanto, fiquem atentos a todos esses títulos nos próximos 2, 3 meses. O Oscar de 2014 deverá ser o mais disputado dos últimos tempos...
;)

*ainda não tem título oficial brasileiro
Fotos: reprodução

23 de fev. de 2013

CINEMA: Contagem regressiva para a maior premiação de Hollywood


Neste domingo será realizada a entrega do mais cobiçado e famoso prêmio cinematográfico do planeta, o Oscar. Seja ele sinônimo de qualidade máxima ou puro merchandising de Hollywood, o fato é que inúmeras produções interessantes costumam passar pelo crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, disputando a estatueta dourada e um lugar garantido na história da Sétima Arte.

Este ano, são nove títulos na categoria principal, que vão desde uma fita independente de um diretor estreante até uma superprodução em 3D, recheada de efeitos visuais, assinada por um vencedor do outra edição.

Como sou um cinéfilo assumido, todo ano faço minha “maratona do Oscar” e procuro ver o máximo de indicados possível antes da cerimônia, e este ano não foi diferente: consegui assistir aos 9 indicados a Melhor Filme, além de outros finalistas, como O Mestre, O Voo, O Amante da Rainha, Skyfall, Prometheus, etc. Como todo bom palpiteiro blogueiro, também faço minhas apostinhas. Vamos a elas:


Depois de ganhar o Globo de Ouro, o Bafta, o Critics Choice e o prêmio máximo dos principais Sindicatos de Hollywood (o Actors Guild, o Directors Guild, o Writers Guild e o Producers Guild — ufa!), Argo já figura como o grande favorito para Melhor Filme. A esta altura, todo mundo já deve estar ciente da polêmica sobre a não indicação de Ben Affleck como Melhor Diretor, o que faz de Argo um caso atípico, uma vez que em 84 edições passadas, somente 3 películas levaram a estatueta principal da noite sem ter uma indicação para seu diretor (a última vez que isso se deu foi com Conduzindo Miss Daisy, há pouco mais de vinte anos).

É um bom filme (apesar do final “clichezento”), mesclando vários gêneros, como drama político, comédia e thriller. Sua estrela da sorte brilha intensamente porque a Academia adora premiar filmes que exaltam Hollywood (que nem fizeram com O Artista, no ano passado). Argo não é exatamente metalinguístico, entretanto revela os bastidores de uma curiosa e bem-sucedida operação da CIA para resgatar americanos durante a Revolução Iraniana e de como a indústria do cinema foi decisiva para que isso acontecesse. Patriotismo + exaltação do cinema + operação bem-sucedida da CIA = Oscar.

A força que Argo passou a ganhar desde sua vitória no Globo de Ouro pode ainda lhe render os prêmios de Melhor Montagem e Roteiro Adaptado. E mais: as categorias de coadjuvante às vezes reservam surpresas. Neste caso, a maior delas seria ver Alan Arkin ser abençoado pelo “fenômeno Argo” e desbancar os favoritos da categoria, Christoph Waltz e Tommy Lee Jones. Veremos.


Quando as primeiras imagens de Lincoln começaram a circular na imprensa em 2012, todos acreditavam piamente na vitória de Spielberg e Daniel Day-Lewis no Oscar deste ano. Pois parece que a profecia irá se concretizar no domingo. Afinal, se no ano passado uma atriz americana levou sua 3ª estatueta dourada por interpretar uma primeira-ministra britânica, por que não um ator britânico levar seu 3º Oscar fazendo um presidente americano? A reencarnação de Lincoln por Day-Lewis recebeu elogios até mesmo dos detratores do filme, e ele pode se tornar o primeiro ator a ganhar o Oscar por um trabalho do mesmo diretor de ET.

O fato é que, mesmo contando com um protagonista de peso, Lincoln não é exatamente uma obra-prima. Com a não indicação de Affleck, Spielberg tem suas chances de ganhar como Melhor Diretor redobradas, porém seus maiores rivais na categoria são Michael Haneke, um autor europeu respeitadíssimo pela crítica, e Ang Lee, um dos mais versáteis cineastas da atualidade que, com As Aventuras de Pi, arrecadou mais de meio bilhão de dólares, a maior bilheteria entre os concorrentes.

Licoln tem, ademais, chance de sair vitorioso na categoria Ator Coadjuvante para Tommy Lee Jones, que está ótimo também. Obs: o prêmio de Roteiro Adaptado foi prejudicado pela recente descoberta de um erro histórico na trama, o qual foi assumido por seu autor, o dramaturgo Tony Kushner.


Não foi apenas a ausência de Ben Affleck que foi sentida. O cultuado Quentin Tarantino também teve de engolir seco quando sua aclamada (e polêmica) homenagem aos bangue-bangue italianos, Django Livre, foi ignorada na categoria Melhor Diretor. Assim como fez em Bastardos Inglórios, Tarantino novamente coloca as vítimas do passado vingando-se de seus algozes numa recriação moderna e estilizada de outra era, com bastante humor negro (sem trocadilhos) e um elenco afiado.

Leonardo DiCaprio, Jamie Foxx e, especialmente, Samuel L. Jackson também foram injustiçados, mas Christoph Waltz, já vencedor por Bastardos Inglórios, voltou com força total e criou um segundo personagem esplêndido pelas mãos de Tarantino. As grandes esperanças de Django Livre no Oscar são justamente o prêmio de Coadjuvante (embora Waltz tenha sido premiado há pouco tempo, o que pode prejudicá-lo um pouco) e Roteiro Original (categoria na qual o cineasta já saiu vitorioso por seu melhor filme, Pulp Fiction).


Para muita gente, foi uma surpresa ainda maior ver a produção franco-austríaca Amor em tantas categorias principais. Modéstia à parte, eu já intuíra em dezembro que isso poderia acontecer, tanto que no meu Facebook já estava declarando minha torcida pela vitória de Emmanuelle Riva na categoria Melhor Atriz três meses atrás.

Michael Haneke, aliás, também merece a distinção como Melhor Diretor e Roteiro Original, mas parece que seguro mesmo é apenas o seu triunfo como Melhor Filme Estrangeiro. De qualquer maneira, ver a performance magistral e dolorosa de Emmanuelle Riva perder para qualquer uma de suas concorrentes seria o mesmo que ver a grande Fernanda Montenegro aplaudir Gwyneth Paltrow no ano de Shankespeare Apaixonado...


Desde 1981 que um filme não recebia indicações nas 7 categorias principais, quando Reds, de Warren Beatty, competiu como Melhor Filme, Diretor, Roteiro, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. Pois O Lado Bom da Vida reprisou a rara façanha e muita gente anda apostando na vitória de Jennifer Lawrence. Mas ela é muito jovem (apenas 22 anos), alguns podem achar que ela ainda não chegou ao seu auge, que ela pode conseguir um papel mais impactante no futuro (repito que continuo torcendo por Emmanuelle Riva).

No fim das contas, O Lado Bom da Vida é apenas uma boa comédia romântica, com toques dramáticos, mas nada extraordinário. Bradley Cooper, ofuscado por Day-Lewis, é quem se destaca mais aqui. Mesmo assim, é admirável ver tantas indicações para uma produção modesta e previsível sobre bipolaridade, um assunto tão em voga hoje.


Além do western, temos o retorno de outro gênero démodé aos Oscars: o musical. Aguardada adaptação da Broadway, Os Miseráveis, dirigida por Tom Hooper (O Discurso do Rei), foi mais que decepcionante. Confesso que eu amo musicais, porém este Miseráveis foi duro de engolir (e de chegar ao fim). É provavelmente o mais chato de todos os concorrentes, prejudicado pelas músicas horrivelmente cantadas pelo elenco e pela longa duração. Uma verdadeira tortura!

O único elogio que posso dar é sobre a atuação excepcional de Anne Hathaway (Hugh Jackman também não faz feio, vai...). Apesar de curta, sua emocionante aparição impressiona, em especial pela transformação física que a atriz sofreu para viver Fantine e pelo modo doloroso com que entoa suas canções. Certamente ela merece levar a estatueta de Atriz Coadjuvante (e Russell Crowe deveria levar a Framboesa de Ouro!). Os Miseráveis deve ainda levar um prêmio pela sonoplastia, pois os musicais costumam ser favoritos nessa categoria, e Tom Hooper falou pra Deus e o mundo que os atores estavam cantando pra valer em todas as cenas, que nada fora previamente gravado, portanto...


Falando em tortura, o mais polêmico dos indicados certamente é A Hora Mais Escura. É também um dos mais injustiçados da safra. Claro que é uma questão meio subjetiva analisar um filme, no entanto, sendo franco com vocês, gostei mais deste do que do oscarizado Guerra ao Terror.

Convém mencionar que a fita desagradou a fatia republicana dos Estados Unidos ao mostrar a prática da tortura durante a longa caçada a Osama Bin Laden (um verdadeiro tabu do governo Bush, tanto que conseguiram adiar o lançamento do filme para depois das eleições americanas; de qualquer maneira, o democrata Barack Obama levou a melhor). Mais do que isso, A Hora mais Escura é uma radiografia intensa e chocante sobre um período-chave na história recente, e revela ainda que uma mulher esteve no comando da mais controversa operação de Inteligência dos últimos anos.

Uma pena que Kathryn Bigelow tenha sido ignorada na categoria Melhor Direção. É provável que a obra fique sem nada no domingo, embora haja quem aposte em Jessica Chastain como Melhor Atriz. Acredito mais numa possível vitória como Melhor Roteiro Original, caso não vá para Tarantino (Mark Boal reescreveu tudo do zero após Osama Bin Laden ser achado e morto no Paquistão), e Melhores Efeitos Sonoros. Merecidíssimos.



E se tivemos filmes subestimados nesta edição, também tivemos alguns superestimados, como é o caso da fita independente Indomável Sonhadora. Depois de virar um hit entre os intelectuais, Indomável Sonhadora foi responsável pelos maiores choques no dia do anúncio das indicações ao Oscar, afinal pouca gente esperava vê-lo disputando os prêmios de Diretor e — muito menos — Atriz! 

Ambientado numa região devastada pelo furacão Katrina, a película acompanha o dia-a-dia de uma garota e seu pai numa miséria que só é compensada pelos devaneios que a pequena Hushpuppy costuma ter a respeito do mundo que a cerca. É um filme feio, deprimente, porém realizado com bastante vigor. Não é péssimo, mas certamente não merecia todo esse oba-oba da Academia. 


Se pensarmos em aventura e fantasia, o que se sai melhor certamente é As Aventuras de Pi, adaptação de um livro que muitos consideravam “infilmável”. Claro que o taiwanês Ang Lee não se deixou levar por esse argumento e aceitou o desafio. O filme é magnífico do começo ao fim, pulverizou um pouco a questão religiosa, mais forte (dizem) no livro de Yann Martel, e acentuou a ação por meio de efeitos visuais incríveis e uma fotografia esplendorosa, que provavelmente serão recompensados neste domingo, tal como a bela e exótica trilha sonora de Mychael Danna.

Existe uma forte campanha para que Lee fature o prêmio de Direção, uma vez que seu trabalho é muito mais notável que os “diálogos filmados” de Spielberg. Este último nem chegou a disputar o Bafta. Haneke tampouco tem tanta força suficiente em Hollywood por ser um autor europeu (lembremos que Fellini, Truffaut, Bergman e Almodóvar já foram indicados ao Oscar e jamais levaram o prêmio de direção, embora merecessem). Lee também é queridinho do Sindicato dos Diretores, já tendo recebido o prêmio duas vezes, por O Tigre e o Dragão e O Segredo de Brokeback Moutain. Ou seja, ele tem grandes chances de levar seu 2º troféu. Fica minha torcida por ele. Mesmo sem levar o troféu de Melhor Filme, é possível que este seja o grande vencedor em quantidade de Oscars.

Fotos: reprodução